segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Querida felicidade,

Aqui estou, sentindo sua falta novamente. Eu me pergunto que mágica é essa que você possui. Digo, eu nem mesmo lhe conheço ainda e não posso parar de pensar em você, querer você e desejar que você estivesse mais perto.
Sabe.. todas as noites eu olho para as estrelas acima de nós, penso em você, imagino onde você está e o que está fazendo e então eu canto "abaixo das mesmas estrelas, este é o mais perto que chegaremos esta noite" e fico tão triste que você não esteja mais perto que isso.
Ontem, na piscina de Jú, com apenas meus pés debaixo d'água, eu estava precisando tanto de você. Eu queria que você estivesse lá também, brincando com nossos pés dentro da água, segurando minha mão, brincando com nossos dedos, me mantendo quente... Então eu poderia lhe olhar e ver quão linda você é e eu poderia beijar você e sussurrar em seu ouvido como é inacreditável o quanto você é bonita quando seu cabelo cai em seu rosto. Eu estaria sorrindo, por que perto de você eu não vejo o inferno em que vivemos, não há mundo ou inferno. Existe apenas você e eu. E nós somos lindas juntas.
Existe algo mais. Ontem eu vi uma estrela brilhante atravessando o céu e, enquanto ela corria para o desconhecido, eu pedi a ela que trouxesse você para mim e eu já pedi a um santo e a um deus, nos quais eu não acredito, pra trazer você para mim. Eles ainda não me responderam, então venha por conta própria, por favor? Eu realmente não posso esperar mais. Estou me sentindo sozinha até mesmo entre minhas amigas agora. Eu me sinto incompleta sem você.
Droga! Eu nem mesmo lhe conheço. Por favor, deixe-me lhe conhecer, eu não posso ser assim por muito mais tempo, tudo bem?

Com amor,

Eu.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

i saw your sister.

Parado a 100m de distância da praia, no meio da água, com a ilha às suas costas e o oceano a sua frente. Parado simplesmente, encarando a imensidão azul do mar se misturar com a imensidão azul do céu limpo. Com sua mente fora de foco, levando para todos os lugares e a lugar nenhum ao mesmo tempo, foi quase derrubado por uma onda e notou a formação de outra a distância e a observou se aproximar. Olhava para os cavalos brancos de Poseidon com fúria, esperando derrotá-los e manter-se em pé, fixo e estável. Mas a força era esmagadora e o empurrava para trás e ele precisava, novamente, avançar e enfrentar mais ondas daquele mar revolto.
Encarava cada "batalha" contra o mar como se fosse sua primeira e também sua última, como se daquilo dependesse a vida de quem mais amasse. Não ele, pois não se amava, não existia significância suficiente em seu ser para tal. E ele acabara de notar isto. Quando olhou para aquela confusão de azuis e a primeira onda lhe acertou o tórax com força suficiente para fazê-lo tropeçar, e ele olhou a nova batalha que enfrentaria, preparou-se e levantou o queixo (para mostrar superioridade, talvez), mas o sol lhe cegou os olhos e esta onda também o abalou. E desta vez não só fisicamente.
Neste momento ele notou quão inútil era naquele mundo, notou quão pequeno era, quão sem importância se encontrava perante esta vida. Se aquelas ondas o derrubassem ali, afogassem e o levassem dali, para dentro do oceano e para dentro da barriga de um peixe, então (quem sabe?) faria um crustáceo mais feliz pela maior quantidade de comida ou um, talvez dois, parentes chorariam pela forma que ele morrera e quão jovem era quando foi arrastado para a infinidade da morte.
No entanto, constatou: a vida continuaria. A sua continuou após a morte de tanta gente que veio ao mundo antes dele, superou a morte de parentes e amigos. A sua própria vida não parara, por que a dos outros pararia por ele? Não há motivos, certo? Ele desejava que o mundo explodisse e ninguém mais tivesse felicidade depois que ele não mais habitasse este planeta? Claro! Mas não era assim que as coisas funcionavam. A vida seguia em frente. As crianças cresceriam, viveriam e morreriam. Novas crianças iriam nascer nesse meio tempo e o ciclo não acabaria.
Parado a 100m de distância da praia, parado olhando para aquela imensidão, torcendo para que a tropa branca e inabalável não o derrubassem definitivamente, cegado pelo poder de uma estrela "pequena", entorpecido pelo sal em seus olhos e boca, afundado até acima da cintura naquela água que escondia um mundo inteiro, com os pés escorregando em areia que era capaz de cobrir todo o seu mundo e o mundo debaixo d'água, com toda a natureza ao seu redor e com todo a impotência de seu corpo frágil ele percebeu que não era só ele o insignificante da história. Toda a humanidade, todas as pessoas que ele conhecia e todas as que ele nunca vira, toda a fauna e toda a flora, todas as estrelas e toda a água da Terra, até mesmo todas as moléculas e átomos desse planeta diminuto, nada disso era realmente significante e capaz de mudar o curso do mundo se sozinho.
Uma planta é apenas uma planta se não existir para um propósito, assim como qualquer animal o é e ele mesmo se descobria sendo. Encarou uma última onda, mas sem fúria e sim com certa irmandade, encarou-a como se a abraçasse forte e desta vez não foi derrubado ou arrastado, mas permaneceu estático. Virou as costas para os azuis do mundo e caminhou para a praia, onde encontrou sua esposa e deu-lhe um beijo. Ela o olhou, com um sorriso nos olhos e nos lábios, querendo saber o por que daquele rosto tão iluminado. Ele, entendendo sua pergunta silenciosa, disse: "Acabei de perceber que sou nada sem você e quis lhe dar um beijo por estar aqui, comigo."

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

fire all of your guns at once



Pensamentos indescritíveis, sejam por que são tolos ou geniais, nos rondam a cabeça quando estamos segundos antes de cair no sono ou quando estamos de olhos fechados em uma longa viagem ouvindo música. Alheios ao mundo exterior, separados pelas pálpebras fechadas ou pelo poder de um fone de ouvido. Não importa. Todos já tivemos experiências como essas, todos já vagamos e pensamos nas nossas felicidades e tristezas.
Pois, vivendo a segunda situação, momentaneamente livre do mundo ao qual estou sendo obrigada a viver, rapidamente libertada pelo som da voz de Kurt Cobain, vago. Deixo a mente fluir em um fluxo que sei ser perigoso, mas me aventuro. Freio, hesito, me perco quando penso em certas situações e lugares e pessoas.
Encontro o meu pensamento indescritível (por tolice?): pois tantos estão livres para amar quem quiserem; tantos amam, apesar da ausência da liberdade; tantos, apesar da liberdade, não amam; tantos vivem e não simplesmente existem. E estou eu aqui, nem livre nem amando. Portanto, vivo ou existo? Se vivo, que tipo de vida é essa na qual não amo e não sou livre? Se existo, que existência é essa que não me permite viver? Fico travada no duelo que travo comigo mesma.
Tento, furiosamente, provar ao meu coração que não simplesmente existo, mas este é, apesar de tudo, inteligente e pega o primeiro objeto pontiagudo que encontra e o incrusta em si próprio. Em seu leito de morte diz para mim: "Vê? enfiei uma estaca em seu coração e quem está morrendo sou eu. Você nem mesmo sentiu."
Converso só agora, debato com meu cérebro sobre as consequências dos atos inconsequentes de meu coração. Mas ele é estúpido e me responde logicamente a tudo o que questiono. Tento lhe gritar: "PARE, NÃO VÊ QUE PRECISO DE SENTIMENTOS E EMOÇÕES AGORA?" Mas ele é igualmente bruto e diz "foi você deixou que ele morresse só."
Sento-me num canto escuro de minha própria alma e abraço meus joelhos. Depois de tanta violência ainda não sei o meu estado de espírito, não sei se vivo ou se existo, não sei nada. E choro. Não pela presença de sofrimento, mas pelo hábito e costume rotineiro.
Não escuto nada, senão meus próprios soluços, presos dentro de minh'alma. Então que surge uma voz, sutil, tranquila, carinhosa e diz: "O que foi? Já se esqueceu de mim?" Olho-a quase não a reconhecendo e percebo ser aquela que me fez abandonar o amor. Levanto-me de supetão e ela me sorri e tudo se ilumina, sinto algo no meu peito e, surpreso, sei que é meu coração, batendo novamente. O meu cérebro, bem como meu coração, advertem-me sobre as inconstâncias dessa moça, mas não os escuto, como de praxe. Amo-a novamente e por isso vivo.

domingo, 27 de novembro de 2011

o sol cegou seus olhos e, então, Maria Lúcia ele reconheceu.

Estava em um navio. Não que eu soubesse por que sei como fui parar ali, mas sentia aquele balançar tranquilo das ondas, que carrega não só o corpo para os lados, mas também a consciência, sentia o cheiro salgado do mar. Olhei ao redor e percebi que me encontrava na cabine de controle, mas não conseguia ver nenhum sinal de vida por perto. Foi quando entrou um homem vestido de branco e me disse que estava me procurando, assim como as outras pessoas da festa. Olhei para minha roupa e notei, pela primeira vez, o meu vestido longo e vermelho. Eu não havia reparado no rosto do homem ainda e antes de ter a oportunidade de fazê-lo, ele me puxou pela cintura e me beijou.
Foi um beijo macio, familiar, quente, tão bom de ser roubado e eu mal sabia quem era o ladrão.
Assim que ele se afastou eu abri meus olhos para tentar ver quem ele era, mas não conseguia. "Estou cega", logo pensei. Meus olhos estavam abertos, eu não conseguia ver, mas ainda assim, tudo estava nítido ao meu redor. Arregalei os olhos para ver melhor e acordei.
Com os olhos abertos, na minha realidade, vi que estava em meu apartamento, deitada em minha cama. Os lençóis brancos que eu havia colocado no dia anterior estavam bagunçados e fora de lugar. Eu mesma estava bagunçada, atravessada numa cama de casal, deitada de bruços e em um estágio bem conhecido entre o "acordada" e o "ainda dormindo". Coloquei a mão na cabeça, sem levantar nada, se não meu braço, e  baguncei o cabelo. Deixei meu braço cair ali mesmo, por pura preguiça, assim como deixei minhas pálpebras se fecharem, pedindo para voltar ao meu sono.
E foi quando senti um corpo quente deitando-se sobre o meu. Afastou meu braço e minha mão, que tapavam meu rosto. Percebi, então, que estava apenas de calcinha. Senti a mão grande afastando meus cabelos do rosto e colocar uma mecha atrás de minhas orelhas. Deixei me levar pelo momento, mantive meus olhos fechados, fingindo estar dormindo. Então senti um sopro quente em meu pescoço e me arrepiei, mas não pelo calor de seu hálito, mas por suas palavras. Ele sussurrava em meu ouvido "Então me abraça forte e me diz mais uma vez que já estamos distantes de tudo". Assim que ouvi essas palavras dei um sorriso e me virei.
Abri os olhos e vi o rosto moreno que não consegui ver em meu sonho, vi seus olhos castanho, trazendo toda a tempestade, afaguei seus cabelos escuros e cacheados, puxei seu rosto com as duas mãos e levantei a cabeça. Encontrei sua boca a meio caminho e antes que lhe beijasse disse "Somos tão jovens".

terça-feira, 22 de novembro de 2011

where is everybody going?

Existe uma coisa engraçada sobre minha pessoa... o meu estranhamente mutável estado de espírito.
Esta tarde eu assisti a um filme e foi necessário que eu parasse para lavar meu cabelo, afinal tava ficando meio tarde, mas isso não vem ao caso, o interessante aqui é como meu humor e a minha natural "reflexão durante o banho" se tornou depressiva.
Explicando-me: o filme contava a história de um casal que se conheceu na faculdade e não conseguia ficar geograficamente no mesmo lugar, por que ela não tinha o direito de viver no país dele. E chega em certo ponto do filme em que você, por mais que tente acreditar que vai dar tudo certo no final, você perde a esperança... me conformei com o triste e inevitável final antes mesmo dele chegar. Acho que isso me fez fazer projeções sobre o que eu sentiria se acontecesse tal coisa comigo. Não a inevitabilidade do romance, acredito que com essa possibilidade eu já aprendi a lidar (ou não, nunca se sabe.), mas com o infalível fim triste.
Pode ser que alguns bem-venturados ("lucky bastards") consigam esse tão desejado final feliz, mas a verdade esmagadora de que não seremos nem metade daquilo que sonhamos, de que não iremos obter o sucesso que almejamos ou a vida pacata e mundana que, secretamente, necessitamos é destruidora. O pensamento em si faz com que eu corte o meu desempenho pela metade, pois meu otimismo foi atirado pela janela.
E então o banho acabou e eu fui, novamente, recordada da inconstância dos meus pensamentos. No meio do corredor eu "dei de cara" com minha mãe, que me deu um beijo, e depois de sentar novamente para terminar de assistir o filme, minha irmã passou e fez o mesmo. E desse sentimento, tanto físico quanto emocional, tiramos a felicidade do dia e na mente corre, mesmo que rápido, em grandes e garrafais letras as palavras "carpe diem" e percebo que o futuro não é meu para ser cogitado e mediado. Deixei isso para o meu "future self" e que ela lide melhor que eu.
Para não deixar a história do filme cortada, devo dizer que ainda não terminei de assistir, senão entregaria o final. Sou estraga prazeres desse jeito. Mas se quiser ver como acaba a história de Anna e Jacob, o nome do filme é Like Crazy (razão para eu o assistir, julgo livros pela capa.)

terça-feira, 15 de novembro de 2011

2plus2equals5

We're someone to our friends and to our mothers, brothers and sisters we're complitally different people. And then i stop to think about it and i came to the thought that we're entirely specific people to every kind of pearson that we got to know in our lives. I'm one to every single type of friends and mother of friends and teachers and cousings and known people. I'm a hundred of "mes", i'm a thousand. And i guess that if some day someone ask me: "so, of the thousand that you are, who are actually you?" i would be obligated to answer: "i'm the one that i'm when i'm alone and i don't have to be for anybody."
The question might still be unanswered, but you wouldn't like what i've got to say, because there is a reason i'm not like i truelly am when i'm around people. There's a reason for me to feel like i have to be for everyone what they expect me to be (or not, some times it feels good to let people down.), people wouldn't like to know me. You know?

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Hoje eu passei o dia inteiro com Cássia na cabeça.
"Se lembra quando a gente chegou um dia acreditar que tudo era pra sempre, sem saber que o pra sempre sempre acaba."
"Nada vai conseguir mudar o que ficou. Quando penso em alguém, só penso em você e aí, então, estamos bem"
Meio que nessa ordem, meio que com trechos errados ou a mais ou mudanças na letra, meio que bagunçado, que nem tá minha cabeça ou meus sentimentos ou meus 'ous'... Confuso só, eu acho.
Às vezes a gente se pergunta o por que de tanta coisa e esquece de querer saber o como e, acho, hoje os "comos" me atingiram. Forte, até. E daí vem na mente e, mais cruelmente, da memória certas frases...
"Eu não gosto de você, desculpa."
"Ah, o que é? É só atração física agora..."
"Tomei uma decisão irreversível e, na minha cabeça, irrevogável: a gente tem que terminar."
"Eu te ligo amanhã."
E eu não sei o que é pior: saber que eu disse certas coisas ou saber que eu ouvi erradas coisas.

sábado, 29 de outubro de 2011

nunca mais romance.

As vezes ele se perguntava o por quê de desejá-la tanto. Sinceramente. Ela era brutal com ele, rude mesmo, nem sempre, claro, mas mesmo assim! Ela podia o ignorar, ser irônica, ser realmente malvada. Se ele insistisse em uma idéia ela o mataria em desesprezo e sarcasmo. Se ela insistisse em uma idéia... nesse caso ele simplesmente concordaria. Na verdade, ela era a pessoa que mais o fazia sofrer. E não era por que, se ele ficasse parado, penderia para o lado em que ela estivesse, tamanha é a atração. É por que ela é má, é bruxa quando se trata dele.
Obviamente ele podia ver as qualidades dela, se não seria masoquismo, mas ele sempre teve essa confiança de que é uma atração puramente física. Ela tinha esse rosto, puta que pariu, um rosto lindo... Talvez um dos mais lindos que ele já viu. Realmente incrível. Mas ela não tinha o corpo. Não, ela era fraca em volumes corporais, não era dona de um corpo escultural. Muito pelo contrário, era magrela e frágil. Mas ela compensava em uma riqueza de voluptuosidade. Era extremamente sexy. Suas posições, seu jeito de parar, sentar, de ser. Ele a olhava de vez em quando e via como ela podia ser sensual e mortal.
Sua sensualidade tinha essa proporção: letal. Quando a via sentada, na beirada de uma cama, pernas cruzadas, braços esticados para trás servindo de apoio para o corpo, coxar e panturrilhas de fora, um vestido relativamente curto cobrindo o resto de sua pele, de seu corpo, do objeto de desejo de nosso herói. Quando olhava suas pernas de um tom dourado, apenas podia imaginar cenário perfeito.
A sós naquele quarto, ele o atravessa e põe uma das mãos na cama e a outra na coxa macia dela. Esta desliza e entra em seu vestido. Os olhos dele, que olhavam para as próprias mãos, agora encontram os olhos dela, que nunca o deixaram, ele sente o calor que vem da pele dela, que é emanado dela, e tira a mão da cama, colocando-a naquele rosto lindo. Puxa-o para junto e beija sua boca. Sente a maciez que deve estar presente nela inteira e se delicia com aquele momento. Avançando em sua fantasia ele ouve seu nome.
Não, não é ela a chamá-lo. São os outros no quarto. Ele ainda está sentado em sua cadeira. Nunca atravessou o quarto, nunca esteve sozinho com ela. Nunca a tocou, nunca a beijou.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

aprendizes de feiticeiro.

Um projeto de textos que escrevi há algum tempo e que encontrei nos rascunhos. Li, achei interessantezinho, postei. Enjoy.

"Cabelos longos e escuros. Olhos que se fecham ligeiramente quando sorri. E que sorriso!, lábios carnudos e roseados que se espalham e um sorriso que surge, como seda deslizando sobre uma cama, delicia a todos. Delicia a mim. Tudo em seu rosto é lindo e simétrico. Seu nariz reto e bochechas cheias, momentaneamente vermelhas. Orelhas pequeninas, prematuras, outros diriam. Assim como as mãos.
Ah, as mãos. Mãos mais macias não existem em todo o mundo. O toque quente, suave. Pensar que são essas mãos que carregam a adaga que se incrusta em meu peito e leva de mim a vida. Pensar que seus olhos, de um tom de castanho escuro que combina com seus cabelos estendidos sobre a face pálida, são os olhos que me consolam após a prematura morte de meu espírito. Pensar que seus olhos e mãos não sabem da função um do outro. Pensar, pensar, pensar. Não deveria mais fazer isso.
Mas faço. Se for para ter sua imagem perante meus olhos fechados, o faço. E o faço um bilhão de vezes se necessário. Morro e me mato para tê-la de qualquer jeito que seja. Para sempre hipoteticamente minha.
Nado nas lembranças nefastas que carrego dela. Nado na felicidade em seus olhos, no sarcásmo que os mesmos podem expressar, bem como mergulho na tranquilidade de seu olhar cansado. Brinco com as imagens e as modifico. Carrego-a para mim, imagino seu sorriso, toco seus lábios com meus dedos, 'desenho aquela boca, a boca que desejo'."

na moral.

Sabe como eu sempre procuro uma música para ter com todo mundo? Mesmo que eles não saibam, eles têm uma música comigo. Uma melodia, uma letra, um toquezinho diferente que me lembra alguém em especial, alguém provavelmente especial, senão não teria uma música que me leva diretamente a eles. É Cornerstone, Segundo Sol, Florescent Adolescent, Wuthering Heighs, All Star Azul, Amado, Epitáfio, Ideologia, são mil músicas para mil amigos. Mil músicas para mil amores. E é aqui que eu fico confusa por um momento... Como, entre infinitas músicas no mundo, eu não achei uma específica para você? Como, entre todas as músicas do meu iPod, eu ainda não encontrei um acorde ou batida ou palavra ou verso ou estrofe inteira que seja só sua? "Como assim?", as vezes me pergunto. De todos os especiais na minha lista de especiais, você é primeiro de todos, é o top de linha, é a cabeça de minha lista verde-limão (eu sei que você ama verde e sei que sabe que eu amo limão!). Então, tô aqui para pedir para você me dar uma música que seja sua, que seja minha também, que seja nossa. Só nossa. Pode ser até aquelas músicas esquisitas, nas quais os animais latem, ao invés de cantar, pode ser uma música instrumental, pode ser uma música normal, mas que tenha uma. Que exista algo específico que me leve exatamente para você, para seus bracinho fracos, para seu cheiro gostoso, para seu colo macio, para a nossa história. O caso é que já cansei de ser transportada para você através das músicas que são dos outros, dos momentos que são dos outros, dos pensamentos que deveriam ser dos outros. Cansei de qualquer coisa sendo sua e não tendo nada específico, para ver se assim, você me deixa em paz por um momento.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Flo, where did you go?

O brinco dela caiu. Ele notou e lhe apontou o objeto preso aos cabelos negros. Ela riu e, após desenrrolá-lo dos fios lisos e embaraçados, tentou prendê-lo a sua orelha novamente. Não conseguia, o que é estranho, já que ela faz aquilo há anos, todas as manhãs. Ele apenas a observa, como é seu costume, nunca se aproxima, nunca se arrisca, mas desta vez ele a oferece ajuda. Diz que pode colocar para ela, se ela desejar ajuda, claro. Talvez tenha sido o brilho nos olhos castanhos dela ou a pele branca ou a cachoeira negra que eram seus cabelos, mas algo chamou a atenção dele e o envolveu e o seduziu. Ela aceita a oferta e ri, como se para mostrar como é atrapalhada. Nesse momento ele se aproxima dela. Chega tão perto que dá para sentir seu cheiro e o calor de seu corpo. Com o brinco em uma das mãos, ele move o cabelo dela para atrás da orelha com a outra. A ponta de seus dedos formigam no segundo em que entram em contato com a pele dela. Ele se pergunta o que é aquilo, coisa estranha, será que suas mãos estão tão frias assim? Ele tenta recolocar o brinco em seu devido lugar, mas está tão próximo da boca dela que pode sentir sua respiração em seu rosto, ele a olha e, antes que seus olhos pudessem se encontrar, ela prefere se afastar dele. Deus pode até saber quem é aquele homem tão próximo dela, mas ela não. Pega o brinco, com certa rudeza, das mãos dele e o afasta de forma desfarçadamente gentil. Ele afastasse, sem graça, mas prefere não tocar novamente no assunto, ou nela.
Depois, quando tentava prestar atenção no filme que se desenrolava frente seus olhos, ele notou por que esteve tão distraído o dia inteiro: ele não podia tirar na mente o cheiro daquela moça, nem mesmo os detalhes de seu rosto, como foi tocar a ponta de seus dedos na face dela ou a sensação de ter sua respiração tão próxima da dele. Mas o que o mantinha realmente fora de órbita eram aqueles lábios. Tão belos e desejáveis que ele se achou um idiota por não tê-la beijado ali mesmo. Tolice, óbvio, mas também é tolice pensar nela de forma tão desgovernada.
Ah, mas o que ele pensa? Que irá se esbarrar com ela, algum dia qualquer, a caminho do trabalho? Vê-la sentada no Café da esquina com um matte esquetando as mãos, quando as luvas não puderam? Encontrá-la atravessando a rua, quando estiver sentado em seu carro esperando o sinal abrir? Enxergar, através do vidro de seu restaurante preferido, um vislumbre daquele belíssimo rosto? Não. Desistiu de pensar nela, não que fosse possível mandar em qualquer que fosse a coisa que o estivesse guiando neste caso, mas foi sua decisão. Bem tomada, não tão bem seguida, mas ao menos ele sabia que teria para sempre o seu "quase-a-beijei".
*****
 "'Quases' não me satisfazem, cara! Quero encontrá-la novamente. Quero poder beijá-la, quero poder tirar da mente dela aquela imagem que deve estar lá de mim: a imagem de um cara que quase a agarrou numa estação de metrô! Um cara que ela nem conhecia. Um cara que só tentou ser gentil e acabou feito idiota pensando constantemente naquele rosto e naquele perfume peculiar. Não quero esbarrar com ela na rua, now and then, quero... poder. Poder... com ela."